Resumo
Acidentes em animais de companhia tornam-se cada vez mais comuns, principalmente em animais jovens e, apesar dessa alta incidência poucos são os estudos com cães e gatos, sendo a maior parte da literatura adaptada a aspectos fisiopatológicos descritos em humanos. Desta forma, descreve-se um caso de trauma elétrico em cão, com repercussões cardiorrespiratórias graves, desde sua abordagem inicial à intervenção terapêutica empregada. Um cão, raça Rottweiler, macho, três meses de idade, sofreu um choque elétrico em cerca elétrico com corrente de 220mV e entrou em parada cardiorrespiratória, logo reanimado e encaminhado para o Hospital Veterinário com quadro de hiperestesia, hiperexcitabilidade, sialorréia e incoordenação. Após estabilização o animal desenvolveu síndrome da angústia respiratória aguda, evidenciada radiograficamente com edema pulmonar e eletrocardiograficamente com taquicardia ventricular sustentada, logo estabilizada mediante manobra terapêutica específica. Laboratorialmente, observou-se anormalidade nos biomarcadores cardíacos, em destaque ao cTnI, indicando um consistente indício de injúria a cardiomiócitos secundário ao choque elétrico. Em reavaliação após 30 dias, o animal mostrou-se clinicamente bem, porém foi observado ainda um distúrbio de condução intraventricular, bloqueio de ramo direito, sem repercussão hemodinâmica. Assim, concluiu-se que os primeiros socorros são providenciais no êxito do salvamento de animais vítimas de choque elétrico, sendo importante destacar a importância do monitoramento e terapêutica cardiorrespiratória após estabilização em pacientes com vítima desse agravo, dado o potencial de fatalidade, mormente as arritmias e a síndrome da angústia respiratória aguda.
Palavras-chave: choque elétrico, edema pulmonar, arritmia ventricular, troponina I, cães.
Abstract
Despite the fact that accidents with pets are becoming increasingly common, especially in young animals, there are few studies dealing with dogs and cats, and most of them are adapted from pathophysiological aspects described in humans. This report describes, from the initial approach to the therapeutic intervention employed, the case of electrical trauma in a dog with severe cardiorespiratory repercussions. A three-month old, male Rottweiler suffered an electric shock in an electric fence with 220 mV current and went into cardiac arrest. The dog was soon revived and taken to the Veterinary Hospital with hyperesthesia, hyperexcitability, salivation and incoordination. After stabilization, the animal developed acute respiratory distress syndrome, which was evidenced radiographically by a pulmonary edema and electrocardiographically by a sustained ventricular tachycardia that was immediately stabilized with specific therapy. Laboratory test results showed abnormalities in cardiac biomarkers, especially cTnI, indicating the beginning of cardiomyocyte injury secondary to electrical shock. On reassessment after 30 days, the animal was clinically well, but intraventricular conduction disturbance was observed, with blockage of the right bundle branch, without hemodynamic consequence. Thus, it is concluded that first aid procedures are crucial to save animal victims of electric shock. It should also be highlighted the importance of monitoring the victim after cardiopulmonary stabilization, given the fatality potential, especially the arrhythmias and acute respiratory distress syndrome.
Keywords: electric shock, pulmonary edema, ventricular arrhythmia, troponin I, dogs.